terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Ontem.

Ontem não sujei minha louça

Esqueci meu almoço

perdi todos os horários

procastinei ao trabalho


Ontem demorei-me a deitar

Fiz tudo de vagar sem ritmo e rima


Pensei na morte pensei na vida

No triste destino na felicidade do fim

no eterno e lamentável gozo de ser e estar


Ontem eu parei minha vida

pela morte de uma ente querida

em respeito a sua ida


Escrevi tudo errado

não dei pontos nem virgulas

Curti a vida que interrompe sem pedir

deixando tudo pra ontem

Como o passado que somos

Parar e.


segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Indiligência Arteficial

Sinto-me artificial por não ser o que são, fazer o que fazem, mostrar o que mostram.  Minha arte declina quando convém, e inteligência alguma consegue me arrancar as mazelas da ignorância e tirar-me da inércia. Não consegue gerar precisamente o que peço, porque não preciso de fato. Não consegue ser eu quando finjo, e nem tira de mim a árdua tarefa manual de viver. Então não me serve, não funciona como adereço e se peço endereço não consegue encontrar. Perco meus tokens, enquanto perco meus toques, moeda de troca. -É tempo poupado- eles dizem. Economia automatizada. Alto lá! Algo deu errado. Está tudo desconexo agora. Desvinculo meu reflexo deste obsidiano espelho.  Reconecto-me a maior inteligência, a Indulgência de criar aquilo que não se pode simular. 

quarta-feira, 28 de maio de 2025

Dissimulações importantes.

 Tenho flutuado entre as vias do Cosmo Velho a pensar sobre o desatino que me abateu. Sentimento de melancolia profunda, que me revela uma verdade que cabe só mente a mim. Mas, depois de tudo findado o que tenho eu a ver de forma obliquoa as dissimulações de Capitu? Do que me importa, afinal, se a prole soa como meu espelho ou reflete o outro? Além do mais, também estive por ai a andar com Escobar, afogando-me em mar aberto. Não sou eu quem penteia os vastos fios ondulados e negros da dama. Nem sou eu quem admira os detalhes do seu vestido de xita. Não compartilho do ciume do pequeno Bento e nem mais sinto a desconfiança do Casmurro. Então, para que me importar com quem se revelou primeiro? Quem cortou os fios que amarrava a todos? Devo me tornar um ranzinza para a eternidade, excluir-me da vida dos jovens ou posso apenas continuar a caminhar? Se ao vencedor as batatas, e os vermos tudo corrói, posso apenas internar minha própria loucura e como um cão sábio que guia o bebado desvairado, ei de sentar-me na calçada, rir a própria desgraça e de todos que por ventura ão de passar. 

segunda-feira, 17 de março de 2025

Armagura debitada

 Ah se apenas os problemas financeiros fossem a nossa derrota... Não teria me sentido tão rebaixado, tão cansado e tão desprovido de ações. 

Sei bem o que foi...

Quando tu me quis em teus planos, afastando de mim o eu mesmo, perdi a conta nadando contra  a corrente, sentindo-me errático, segui fazendo dividas.

Não, ainda que fosse os problemas das finanças, dos parentes, das crianças. Ainda sim, havia o alicerce principal, que a tua língua cortou os gastos, despendendo gorjetas, em um assalto a mão armada, em nervos em meio a ação, deflagrando tiro a queima-roupa. 

Não era a língua que me procurava nas caricias do prazer, alias, esta vez ou outra se interessava. Não era a língua que me desejava bom dia e trazia-me paz, porque esta vez ou outra se importava. Era a língua da cobrança, sempre um boleto a pagar, o código inteligível, a taxa de juros em tons altos de sua voz. Que me tirava tudo, cada centavo, para que eu mendigasse por afeto, para pedir um empréstimo a quem tudo me tira. Era a língua bruta, nua e crua, como o mercado, o touro indomável de ouro, repleto de papel moeda rasgado ao relento. 

E eu que juntei minhas economias de palavras, contando uma por uma em migalhas, para te dizer tudo isso que eu escrevo agora. E até nisso, neste meu eu amargurado e um tanto debilitado, foi-me debitado. 

sexta-feira, 4 de outubro de 2024

Bruto magnetismo terrestre

 Este insano mundo que me devora pelas vísceras, quer-me a atenção o tempo todo, com seu bruto magnetismo terrestre. 

Converte minha energia em matéria, oca e pintada de beleza. Mas, a chuva sempre revela seu verdadeiro objeto. E repele-me quando percebo sua crua natureza.

Atrai-me novamente, com mais força e intensidade. Dizendo:

-Veja! Olhe todas essas coisas belas, fique aqui. Há tanto a perder. Assista o mais novo, ouça a mais nova canção, adquira o revolucionário brinquedo de tirar tempo. Você precisa, você deseja.

Porém, as ondas sonoras comerciais, com suas marés, batem com força a rocha sólida e material, derrete a tinta e me revela o vazio. 

Do que adianta querer atrair-me para tal, se tudo que pareceu-me sublime é um tanto distorcido. Maldita luz que reflete e faz com que tudo brilhe em ouro.

A minha mente quer voar, livre das correntes que prendem meu corpo. 

A terra quer que eu fique, livre da mente que constantemente voa, sem posar, sem descansar suas asas.

Repele-me a ideia de não descansar, repele-me a ideia de me atrair.

Oh! Bruta atração mundana, tira de mim a ilusão, mas deixe-me com os sonhos. 

sábado, 14 de setembro de 2024

A Outra Fórmula

Na minha ferida,
causada por mim e por você,
estanco com a ausência.

Preencho com um passado vazio;
pego nossas pílulas de verdades em placebo,
diluo em lembranças líquidas.

Mas, agora uso Outra fórmula:

Remedio...
Entorpeço-me...

Sinto por não mais sentir por você;
percebo, então, que
não me faz efeito esta Outra fórmula.

sexta-feira, 14 de junho de 2024

A coragem de temer

 Mas, foi quando descobri que em mim havia mais coragem do que imaginava, me assustei...

quarta-feira, 12 de junho de 2024

Respeitando meus erros

 Quando nos acomete a epifania, entendemos o quão tolo fomos em determinadas escolhas.

Mas, é quando entramos em cartase, que realmente entendemos as nossas escolhas. 

Eu aprendi a respeitar os meus arrependimentos.

domingo, 9 de junho de 2024

Distância mental

 Oito meses... Porém, 10 anos de distância mental. Tão afastado do que foi, do que fiz e fui em tão pouco tempo. Corre em meus neurônios uma saudade, e um desespero, pois escolhi não poder voltar. Determinei-me a não escolha, e privei-me de tudo para privatizar meu livre-arbítrio. 

sábado, 25 de maio de 2024

Epifania

 De repente acometeu-me a epifania de que nunca havia compartilhado as gotas daquilo que sei e daquilo que gosto. Que talvez, e só talvez, dividindo minhas entranhas eu possa aliviar a mim e a outrem. E sendo assim, cumprindo ao que fui designado. 

segunda-feira, 20 de maio de 2024

O Alerta máximo!

 Alguém está a sonhar os teus sonhos. 

E não há nada que você possa fazer.

A não ser que você faça. Alguém ainda sim continuará a sonhar os teus sonhos. 

Podes deixar para outrem, ou podes deixar para amanhã. 

E mesmo assim, alguém ainda há de sonhar teus sonhos.

Alerto-te, sonhe. 

Seja também o alguém de alguém, que sonha o sonho de outros.

Pois, se não fores tu, nem o outro. 

Sonharás sempre que alguém está a sonhar os teus sonhos.

Relatório de bordo

 

Os dias têm sido estranhos desde que deixei meu conforto, meu lar, e tudo que antes eu julgava conhecer. Seis meses de confusão interna, e mais seis meses tentando entender o que eu estava procurando no exterior da vida. Digo isso, pois, acredito que vivemos apenas dentro de nós, e tudo que há lá fora, para além de nossa epiderme, não passa de outro ambiente onde outras pessoas, que também vivem em si, convivem umas com as outras. Sendo assim, nessa dicotomia mirabolante dos meus sentimentos, sinto-me a deriva, nas ondulações da maré da cidade grande. Perdido nesse cardume de sensações. Me encontro aqui, nestas palavras, ao escrever. Uma tentativa vã de organizar as ideias. Tanta coisa acontecendo, e ao mesmo tempo nada.

terça-feira, 19 de março de 2024

O poço, o cigarro e a chuva.

 

Desequilibrado em uma corda sólida onde apenas meus pés bambeiam. 

Em constante queda, não livre, preso em uma corrente que não se arrebenta, de frustrações que não me seguram. 

Sinto a dor de cair no poço sem fim, sinto o chão e o vazio, o vácuo em um espaço completamente preenchido que me sobra aos montes, transbordando para dentro de mim. 

Não sei se vou sair, se quero sair, se devo ao menos tentar ou desistir completamente. 

No fundo, neste fundo, tenho a grande chance de quebrar, mas meus ossos são feitos de borracha, e posso tudo apagar. 

Não vou me apagar por completo, como você fez, pobre garoto da terra da chuva. 

Talvez eu seja o seu velho cigarro, queimando aos poucos, ao menos uma chama acesa a iluminar o escuro, enquanto sacio a vontade do trago vicioso. 

Mas, a fumaça pode me salvar, subindo aos céus como um sinal. 

Se o vapor fizer Chover, apago-me, caso contrário, Verão.  

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

Cabo de guerra

Em juntos leitos, sem arejo; 

Determinei-me a guerra corda;

Puxando-a com força bruta; 

Desejando boas novas.

Arranjo um novo canto;

Buscando a quem me igualar;

Sem receio de que irão me derrotar.

Mas, é quando o tolo fraqueja;

Vendo os nós em laço forte, 

Que me puxam a má sorte;

Sinto a corda arrebentar.

Acorda pois, partiu;

Dividindo-me em três;

Antes da queda percebo;

Ainda lhes desejo arejados leitos;

Mesmo que o fraco seja Eu

e não Vocês.  

Vazio que ocupa

 Sinto tanto por nada sentir, é um vazio que preenche tudo, o culpa cada parte do meu ser, deixando assim um espaço vago. 

quinta-feira, 4 de maio de 2023

Não querer carregar mais nada.

 Na retina, vultos coloridos

bombas de efeito moral

devorando o finito,

Perco a minha energia.

Até por fim descarregar-se o todo.

Matéria escura, que reflete meu rosto,

devora-me como a Esfinge,

mas, por intervalos sempre a decodifico.

Afasto-me, até outrora.

As vezes há cabo... Por não querer carregar mais nada.

sexta-feira, 24 de março de 2023

Abujamra

 Abujamra, pensei em você.

Te vejo toda tarde.

Mas penso em seu nome, muito provocador.

Prova que a dor é não ter sido provocado por você.

Que ações suas perguntas iriam me prover?

Ainda penso no seu nome, Abujamra.



Ao Bruxo Cósmo e Velho

 Ao Bruxo do Cosme Velho,
 Eis-me aqui, Cósmico e Novo.
Te busco no firmamento.
Desejo a tua magia, a Insanidade.
Teu olhar, sobre a verdade.
Teu cachorro, o missionário e os vermes.

Há quanto tempo eu não te leio?

terça-feira, 7 de março de 2023

Sobrou o resto

 Sobrou o resto,

E de repente surge das sombras,

vibrando ao ver.

Se esgueira, cautelosamente para comer.

Fome, vontade de viver.

Se apressa, cautelosamente pra se proteger.

vibra ao morrer.

Vontade de sobreviver.

Meses se passam, ainda há rastros.

Pintadas na parede, às perninhas.

Sobrou o resto.


Em cada árvore há sombra

 Em cada árvore há sombra

De folhas e ramos,

De frutos e galhos

De tronco e raiz

Das raízes ao caule

Do caule a seiva

Na seiva a vida

E na vida a morte.

Em cadaver assombra,

Dos ossos e destroços

No corpo os desfrutos

Dos vermes a carne podre

Da podridão os gases

Dos gases, a dissipação,

A mistura no universo.

Da natureza, a beleza e a feiúra

O cadáver da árvore,

a sombra que assombra.