sexta-feira, 4 de outubro de 2024

Bruto magnetismo terrestre

 Este insano mundo que me devora pelas vísceras, quer-me a atenção o tempo todo, com seu bruto magnetismo terrestre. 

Converte minha energia em matéria, oca e pintada de beleza. Mas, a chuva sempre revela seu verdadeiro objeto. E repele-me quando percebo sua crua natureza.

Atrai-me novamente, com mais força e intensidade. Dizendo:

-Veja! Olhe todas essas coisas belas, fique aqui. Há tanto a perder. Assista o mais novo, ouça a mais nova canção, adquira o revolucionário brinquedo de tirar tempo. Você precisa, você deseja.

Porém, as ondas sonoras comerciais, com suas marés, batem com força a rocha sólida e material, derrete a tinta e me revela o vazio. 

Do que adianta querer atrair-me para tal, se tudo que pareceu-me sublime é um tanto distorcido. Maldita luz que reflete e faz com que tudo brilhe em ouro.

A minha mente quer voar, livre das correntes que prendem meu corpo. 

A terra quer que eu fique, livre da mente que constantemente voa, sem posar, sem descansar suas asas.

Repele-me a ideia de não descansar, repele-me a ideia de me atrair.

Oh! Bruta atração mundana, tira de mim a ilusão, mas deixe-me com os sonhos. 

sábado, 14 de setembro de 2024

A Outra Fórmula

Na minha ferida,
causada por mim e por você,
estanco com a ausência.

Preencho com um passado vazio;
pego nossas pílulas de verdades em placebo,
diluo em lembranças líquidas.

Mas, agora uso Outra fórmula:

Remedio...
Entorpeço-me...

Sinto por não mais sentir por você;
percebo, então, que
não me faz efeito esta Outra fórmula.

sexta-feira, 14 de junho de 2024

A coragem de temer

 Mas, foi quando descobri que em mim havia mais coragem do que imaginava, me assustei...

quarta-feira, 12 de junho de 2024

Respeitando meus erros

 Quando nos acomete a epifania, entendemos o quão tolo fomos em determinadas escolhas.

Mas, é quando entramos em cartase, que realmente entendemos as nossas escolhas. 

Eu aprendi a respeitar os meus arrependimentos.

domingo, 9 de junho de 2024

Distância mental

 Oito meses... Porém, 10 anos de distância mental. Tão afastado do que foi, do que fiz e fui em tão pouco tempo. Corre em meus neurônios uma saudade, e um desespero, pois escolhi não poder voltar. Determinei-me a não escolha, e privei-me de tudo para privatizar meu livre-arbítrio. 

sábado, 25 de maio de 2024

Epifania

 De repente acometeu-me a epifania de que nunca havia compartilhado as gotas daquilo que sei e daquilo que gosto. Que talvez, e só talvez, dividindo minhas entranhas eu possa aliviar a mim e a outrem. E sendo assim, cumprindo ao que fui designado. 

segunda-feira, 20 de maio de 2024

O Alerta máximo!

 Alguém está a sonhar os teus sonhos. 

E não há nada que você possa fazer.

A não ser que você faça. Alguém ainda sim continuará a sonhar os teus sonhos. 

Podes deixar para outrem, ou podes deixar para amanhã. 

E mesmo assim, alguém ainda há de sonhar teus sonhos.

Alerto-te, sonhe. 

Seja também o alguém de alguém, que sonha o sonho de outros.

Pois, se não fores tu, nem o outro. 

Sonharás sempre que alguém está a sonhar os teus sonhos.

Relatório de bordo

 

Os dias têm sido estranhos desde que deixei meu conforto, meu lar, e tudo que antes eu julgava conhecer. Seis meses de confusão interna, e mais seis meses tentando entender o que eu estava procurando no exterior da vida. Digo isso, pois, acredito que vivemos apenas dentro de nós, e tudo que há lá fora, para além de nossa epiderme, não passa de outro ambiente onde outras pessoas, que também vivem em si, convivem umas com as outras. Sendo assim, nessa dicotomia mirabolante dos meus sentimentos, sinto-me a deriva, nas ondulações da maré da cidade grande. Perdido nesse cardume de sensações. Me encontro aqui, nestas palavras, ao escrever. Uma tentativa vã de organizar as ideias. Tanta coisa acontecendo, e ao mesmo tempo nada.

terça-feira, 19 de março de 2024

O poço, o cigarro e a chuva.

 

Desequilibrado em uma corda sólida onde apenas meus pés bambeiam. 

Em constante queda, não livre, preso em uma corrente que não se arrebenta, de frustrações que não me seguram. 

Sinto a dor de cair no poço sem fim, sinto o chão e o vazio, o vácuo em um espaço completamente preenchido que me sobra aos montes, transbordando para dentro de mim. 

Não sei se vou sair, se quero sair, se devo ao menos tentar ou desistir completamente. 

No fundo, neste fundo, tenho a grande chance de quebrar, mas meus ossos são feitos de borracha, e posso tudo apagar. 

Não vou me apagar por completo, como você fez, pobre garoto da terra da chuva. 

Talvez eu seja o seu velho cigarro, queimando aos poucos, ao menos uma chama acesa a iluminar o escuro, enquanto sacio a vontade do trago vicioso. 

Mas, a fumaça pode me salvar, subindo aos céus como um sinal. 

Se o vapor fizer Chover, apago-me, caso contrário, Verão.  

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

Cabo de guerra

Em juntos leitos, sem arejo; 

Determinei-me a guerra corda;

Puxando-a com força bruta; 

Desejando boas novas.

Arranjo um novo canto;

Buscando a quem me igualar;

Sem receio de que irão me derrotar.

Mas, é quando o tolo fraqueja;

Vendo os nós em laço forte, 

Que me puxam a má sorte;

Sinto a corda arrebentar.

Acorda pois, partiu;

Dividindo-me em três;

Antes da queda percebo;

Ainda lhes desejo arejados leitos;

Mesmo que o fraco seja Eu

e não Vocês.  

Vazio que ocupa

 Sinto tanto por nada sentir, é um vazio que preenche tudo, o culpa cada parte do meu ser, deixando assim um espaço vago.